
O recomeço
A campainha foi tocada às 22 horas e 12 minutos em uma segunda-feira nebulosa. Cafundós da região serrana do Rio de Janeiro. Depois, o silêncio A mulher insistiu novamente. Gritou. Acordou alguns vizinhos. Suas mãos tremiam. Havia mortes do lado de cá e do lado de lá. Sem muito refletir, Soares levantou-se da cama para ir em direção à porta de entrada de seu apartamento. Quase desistiu por inúmeras vezes ante os segundos que se seguiam. Segurou as lágrimas em um pote de mágoas. Inverteu o sorriso. Já havia convidado as palavras de insulto. Abriu a porta. Rangeu a alma. Seu coração foi aberto, subitamente, sem merecer.
Miriam lacrimejava. Impotência. Prendera o olhar ao chão. Sua história foi desvelada às 22 horas e 30 minutos daquele mesmo instante. Ao observar lentamente seu pai, depois de anos e anos e anos a fio, mediu os versos. Engoliu o semblante. Por fim, pausadamente, compôs: “eu sempre te amei”. E houve perdão e flores onde não houvera.
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